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sábado, 15 de outubro de 2011

costura



nu
vê-los

seus dedais
nos caracóis
dos meus cabelos

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

codinome


voltar ao mesmo lugar onde tudo começou. ela que não acreditava em coincidências. uma flor parada na imensidão do lado oposto do mundo. uma flor de pedra de papel de tesoura de alma. uma flor que reside no sonho e não se destila. que conta seus segredos ao vento e espera o mesmo milagre da primeira vez. que tem em suas costas o peso inteiro de uma vida cada vez mais leve. e de pena e pluma, refaz o mundo no traço da sua coleção de uma ausência só. foi esta flor que esta noite desfez em passo de dança outro tempo de equilíbrio. e confiando fidelidades à sua aposta restante, bebeu o último gole do licor lírico dos sonhos. e sonhou pela última vez.

domingo, 31 de julho de 2011

Saudade




somente 
um silêncio
que abate 


batendo 
contra 
a vontade

sexta-feira, 20 de maio de 2011

porque ela se suicidava todos os dias, e ninguém acreditava...




ela acordou em mais um dia normal. cansada, atrasada, deixada por fazer. a morte lhe visitava pelas manhãs e ela não escondia mais as olheiras, não fazia mais questão de se esconder. apenas existia, não se sabe porque, em um mundo que já não fazia mais sentido. todo o esforço concentrado em terminar as ideias que lhe eram refutadas, dentro de um labirinto que suas concepções condenavam, era desgastante e em vão. sempre havia outra porta, que dava para outra porta, que se fechava em outras portas. não havia ajuda, não havia auxílio, se fora o tempo dos milagres. o milagre que ela esperava, nunca acontecera. houve um tempo em que ela encontrou o centro do labirinto. e nele, um espelho. nesse tempo, ela acreditou fielmente na imagem refletida como porta de saída. e tentou ir até o fim. se doava em respostas, seguia intuições, se apegava aos pequenos sinais, defendia seus passos com a convicção de um cão farejador. porém o tempo se divertia, lhe dando pistas erradas, farejos sem volta e nenhuma bateria a se recarregar. a saída nunca foi encontrada. a falta de energia do labirinto a contaminava de estranheza. ela não tinha ninguém ao seu lado, e seguia, congelada. a cada nova tentativa um novo retorno ao mesmo ponto, que há tempos perdera qual era. dormir já não lhe era habitual e aquela imagem que guardava como resposta se desfazia em borrão, que se desfazia em pontos de luz, que a refaziam como o próprio escuro. seguia inerte seu ciclo, por um caminho novo e pelo mesmo caminho. se matando para chegar no horário, se matando para cumprir os prazos, se matando para se mostrar saudável, para demonstrar cuidado. se matando para não morrer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

se por chaves de corrigir o tempo
esse retrato fossem tantos outros
e se nos meus braços crescessem em prosa
essa nossa história de calendários
tua imagem para mim o que seria?

- o mesmo que sereias para Gerardo
reformulada em versos de Gyannini? -

e se consumisse-mos todo o amor
e esse presente fosse uma outra página
virada nas rasteiras da amizade
nessa nossa ausência de aniversários
minha imagem para ti o que seria?

- velha canção ouvida em supermercado
tão sagrada lembrança não lembrada? -

sem essa ausência que ocupa-me a tarde
e emoldura-se em versos não vividos
sem nunca ter tocado os teus sorrisos
nessa não história por mim reinventada
acaso alguma imagem eu teria?

- o destino dos espelhos guardados
amar o avesso de tê-la algum dia –

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pois,


o teu beijo pouco importa
puro efeito dos afetos
nada mais falível tato
que mergulhar no vão vazio
ser freqüência momentânea

voz que me impinge ao desejo,
ser a tua boca me importa
nisso que se concretiza
o destilar da tua ausência
preenchendo o vazio em caos
.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma lembrança para você:

                                                                                        "O 
                                                                                         arrepio 
                                                                                         na 
                                                                                         nuca 
                                                                                         dos 
                                                                                         dias 
                                                                                         de 
                                                                                         chuva 
                                                                                         em 
                                                                                         que 
                                                                                         chorava 
                                                                                         na 
                                                                                         janela 
                                                                                         e 
                                                                                         não 
                                                                                         tinha 
                                                                                         medo 
                                                                                         dos 
                                                                                         trovões."

segunda-feira, 17 de maio de 2010


As vezes, tarde, enquanto pássaros
órficos entoam canções mudas
e a luz do sol se esconde em nuvem
e as folhas daquela laranjeira
tecem grande colcha sobre o chão
o vento vem beijar meus cabelos
e contar mentirinhas no ouvido
conta que o sol fez belo vestido
e haverá um grande carnaval céu
e Deus será a maior das alegorias
conta que a flor se enfeitou de véu
prendeu os cachos e entrou no jardim
convencida, arrumaria marido!
conta que você gosta de mim
embora tenha, bêbado alegria
beijado a moça que te desfazia
quanta ventania! O sol se libera
de mais uma das nuvens e tenta
com seus raios, consertar este dia
porém já é tarde, já é noite... E tão
grande é a nuvem que em mim se chovia.

In racionale...



Para o menino que só tem pelos

Na metade de cima da mão

e cujo rosto feio e cabelos

carecas de caretas em carvão


P'ra Clarice Lispector sentada

Em canto direito em sala atenção

Que pensa no sentido de nada

Que ouvido lhe presenteia em canção


Vi que pintaste as pontas de louro

Está um tanto quanto lisboeto

Nesta sem graceza de encarnação


Dedico a vocês esforço agouro

Que foi fazer este racioneto

Segredo: minha primeira escanção
.

sábado, 8 de maio de 2010

Um outro poema ou A metáfora originária ou ainda Poema sobre a aula passada...


O tempo... Aquele ditoso sem marchas
Cavalga à cintura de minha sina
Repousam-se Luas, Plêiades e Órion
Em meia noite de Safo
Estou deitada sozinha

Felizes os que se enfeitam de flores
Felizes os que degustam-lhes fruta
Meu corpo, mural de mistérios
Descoberto qualquer de ornamentos
Entrega-se a ti em matéria bruta

Purifica-me em fogo este aquém de teu corpo
Aderência ardente de meus sentidos
Faça-me injusta - paixão da linguagem
Metáfora viva em previsão sibilante
Absurda, ou derradeiramente impossível

Mas ainda é meia noite
De meu corpo apenas o líquido
Oleosamente viscoso - pois ainda paradoxo
Desliza dele em pernas o tóxico
Trançado de multiflores mornas fantasias

Óleo raro de curandeira
Em encantos em rastros guia
Acordemos justos sobre jura do tempo:
Mato a tua sede em minha cura
Se construir-me em ti eterna poesia
.
.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Menina





Menina 

Feita de pores-do-sol 

E passos de dança

Armadilha

Presente distante

Um dia a lembrança

Há de me surpreender

Quando meu corpo já cansado

De peregrinar neste calçado

Dançar sem querer

E deste (descom)passo descontínuo

Entender que é o destino

Me lembrando de você

.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

M.


Fazia tudo pela metade,
Logo, tinha metade de todas as coisas...

Amores pela metade,
Frances pela metade,
Metade do balé, do violão
Metades de poemas
Só meia canção

Meio estilo, meio cabelo,
Meio perdão
Meias de um pé só...
Um violino com 2 cordas...

Mesmo quando tentava por tudo ser inteira
Partiam-na em partes
Metades tortas...

Foi quando um dia...

Um dia resolveu procurar
Aquela metade que lhe faltava
Mal sabendo ela que seria uma busca eterna
Pois sua cara metade
Não era ninguem mais
Alem de ela


Metade Bela



Em última análise, amam-se os nossos desejos, e não o objeto desses desejos.(FRIEDRICH NIETZSCHE )


Meio que concordava com Nietzche...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

1994


Eu tinha 4 anos de idade
Mamãe pensava: Porque não inventaram a opção de mute?
Eu gritava... Não porque era nervosa
Mas porque a vida me permitia gritar

2009



Eu com dezenovequasevinte
Em plena véspera de ano novo
Queria gritar... Mas não posso
E já não sei mais o que mamãe pensa de mim...
.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Veneno em flor


E eu me pergunto
Para que me matar aos poucos?

Apenas para sentir neste sangue escorrendo o resto do seu odio disfarçado de amor?

Para me ver agonizando nessa luta diaria
Por aceitação, por comida, por notas...

Morrerei aos poucos, é o que sei...
Mas sinta e saiba
Que enquanto ainda me mantem viva
Espalho nessa terra seca e sedenta
Sementes de mim

E desse seu orgulho de querer me ver até o fim
Até meu limite chegarei
Mas quando enfim chegar a hora
E seu sorriso morto se embrulhar
Quando eu sentir o fim se aproximar, com seu silêncio lento e morno de preludio de chuva

Serei o vento que te cala
A culpa que te corrói
Serei a chuva que me rebrota
E o novo broto que te destrói...

.

sábado, 28 de novembro de 2009

19



Aquela poesia infantil
De dezenove anos...
18 depois de Gianinni ter comprado Garcia Lorca
Influenciada e estancada
Por aquele ser que apresentava sobre mim um instinto intelectual
Inteligencia sexual...
Aquela poesia infantil
Um dia será como pedra dourada
Em aguas límpidas de ponte
Que só brilhará no escuro...
E representará algo
Acima de cidades e estados
Além de porteiras e estrados.
Mas por enquanto
Detenho-me aos dezenove anos...
Numa preparação silenciosa
Para o que eu ainda serei

Eu sei...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Lero Lero Lero...




Oco
Oco
Oco...
É de carrapicho
Pega essa menina
E põe dentro da lata de lixo!
.
.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Fonética e Fonologia



Bombei em uma matéria
Por não aparecer
Agora, em nova turma
Me olham como E.T.

Como eles conseguiram saber?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CCCII




Admira-me essa minha incrível capacidade oculta em mim


Ao mesmo tempo em que fito este oceano de tristezas

E que meu corpo embala em afogar-se

Fortaleço-me em algo ausente

Futuro...

Mas que quero e me apego

Consiguindo assim soltar



Aprendi a me apoiar no concreto

No real

Aprendi que o distante às vezes faz mais mal

Muito mal



Sigo assim

Corpo em uma dança inexistente

Mente

Na lua... Na nuvem... Na borboleta...

Asas... Semente em flor

Desejando o que é presente

Que Deus me deu como o amor
.
.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

E daí se calço tenis de skatista, uso calça de mendigo, blusa de 'menininha do visão', jacketa de motoclube e óculos de aviador...?




As vezes damos valor
A uma simples gota
Apenas por ser gota nova


Não definir a própria não definição.
E sentir esse 'sei lá'
Como algo inteiro, puro
Eu

Minha não definição agora é
A parte de mim
Que decido não entender.

E personifico essa não definição
Em voce!


O que voce quer ser?









-- Eles apenas me querem e isso é suficiente

...

-- Mas não te assusta essa sua visão de futuro?

-- Não...


-- Falo de casar, viver ao lado de uma mesma pessoa o resto de seus dias, criar crianças que se rebelarão contra voce mais tarde e para bem mais tarde do mais tarde perceberem o seus erros e se arrependerem. Acordar, trabalhar, chegar em casa e dormir... Para no dia seguinte acordar e viver tudo de novo... E a maior emoção da semana ser o frango recheado de domingo depois da igreja (isso em quanto as crianças ainda não se rebelaram). Levar o cachorro todas as noites para defecar no jardim alheio. Limpar o chão da varanda todos os dias para todos os dias de manha amanhecer sujo de novo... Dormir ao lado de uma mesma pessoa e chegar ao ponto de ser tão normal que as vezes apenas se esquesse que ela está ali... Isso não te assusta...?


-- Não... Exceto se ela roncar...


...


-- Eu sou errada por querer mais...?


domingo, 4 de outubro de 2009

Descobre-se

Descobre-se muitas coisas
Em ambientes inesperados
Descobre-se, por exemplo,
Em meio a uma briga
Que azul é a parede do quarto do namorado

Descobre-se no inesperado
O tempo perdido
Descobre-se inesperadamente arrependido
Descobre-se desejo, amor
Descobre-se desgosto depois do amor
Descobre-se quem o copo meio cheio
Sempre foi meio vazio
Descobre-se o fim
E de tantas descobertas
Descubro-me a mim