Mostrando postagens com marcador Páginas antigas de uma lirica juvenil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Páginas antigas de uma lirica juvenil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nada melhor que comemorar o novo


Lembrando-se do que já passou...



Seguem dois poemas velhos escritos por mim no auge de minha espinhez e desenterrados da memoria por uma sereya que feliz-mente descobri tão joanesca como eu...



Pensamento para Joana

Joana, olho para os lados
Procuro e não te vejo
Joana em cada canto
Joana em cada beijo

Joana nos jornais
Joana no desejo
Joana te procuro
Procuro e não te vejo

Joana em cada gesto
Joana em todo meio
Joana nas lembranças
Joana no desejo

Joana em lindo céu
Joana ao relento
Atrás do espesso véu
Joana foi com vento

Perdido seu sem nuvens
Joana em pensamento

                               23/01/2005

Poema para Joana

Amo Joana
Mas Joana não me ama
Joana ama Andre
Que só ama quem quiser

Sofro Joana
Adoeço e estou de cama
Mas Joana não me ama
Joana ama Andre

Ando Joana
Ando mesmo, vou à pé
Ando léguas de distancia
Mas Joana não me quer

Vivo Joana
Mas Joana ama Andre
Adoeço e estou de cama
Ando mesmo, vou à pé

Morro Joana
Vou pro céu azul sem cor
Ver se lá eu viro anjo
Pra cuidar de teu amor

                                03/02/2005



14 anos... 
Oitava Série... 
Amanda, Arthur... 
Vinicius e Carlos 
(de Moraes e de Andrade)... 

Boas lembranças pra um dia de sol
Tão assim, guardadas no armário 
Junto com os poemas de Joana 
E erros de dicionário
.
Boas lembranças pra um dia de sol
De um feliz aniversário...

..
.

domingo, 18 de outubro de 2009

Acho que sou aquele menino na lua...


Hoje
É um dia
Em que a poesia
Me invade a alma
Inunda o coração
Mas
Por mais poesia
Não há poema
Que saia de minha mão
.

domingo, 4 de outubro de 2009

Páginas antigas de uma lirica juvenil

E o que se segue abaixo
É uma sequencia de papeis achados
Digitados
Sem ordem nem data
Com muitas lembranças e histórias por traz
De cada escrito

Divirto(am)-me(se)

Eu

Eu sou a fusão de destinos
Sou a mescla de passado e futuro
Sou eu recém descobrindo
Sou ser em cima do mudo
Sou artista de belas palavras
Um ser não descoberto
E as rimas destas mãos escravas
Um livro ainda em aberto

Sou eu
Sou ser
Sou não
Sou construtor em construção

Engenharia do amor ou Numa aula de física

Me atrai e me repulsa
Assim funciona meu amor
Nossos atritos, nossas culpas
Num bem mal me quer de dor

Nossos corpos diferentes
Condutos e isolante
Quando penso que me ama
Vejo seu olhar distante

Eletrizados por contato
Mas é neutra sua esfera
Só depois que descobri
És ligado ao fio terra

Como posso transformar
O teu lado negativo
Pra que não repulse o meu
E me torne seu cativo?

Entre nós não há contato
Talvez tente indução
Condutor e isolante
Esse nosso coração

Doce veneno

E essa dor
Da qual eu já estou tão calejado
Torna a fluir novamente
Em seu ritmo descompassado

E desse antidoto
Do qual eu já estou envenenado
Efetiva o efeito de me enganar
Pra torturar o pobre coração torturado

Há como enganar que já esta enganado?
E como dói... Coração apaixonado...

Labirinto

Sinto a dor de não ser amada
Misto a dor de não saber amar
Sinto o fardo de ser desprezado
Sinto o fardo de desprezar

Inverto papéis de namorado
Inverto meu ser pra ser amado
Busco ser aceito
Procuro aceitar
Embora já tarde, passo a enxergar

Vejo o quero e o que não quero ver
Fecha-los agora já não pode deter
A visão do vazio já me contaminou
Perdi de onde venho, não sei para onde vou

Labirinto feroz se mostra
É meu próprio coração
Esquadrinhar a procura de respostas
Minha própria contradição

Cotidiano

Não tenho sentimentos nobres a serem escritos
Hoje não reside mim dor, alegria, saudade
Estou oca por dentro e somente meus olhos
Espiam vidas alheias neste cotidiano matinal
Tudo ocorre como normal
Normais, homens invadem mulheres
Normais, brancos e negros rumam aos respectivos ensinos
Normais, vizinhos espiam a briga alheia
Normais, cachorros e madames deixam a rua cheia
Normais, os diferentes camuflam seu futuro
Normais, máscaras deixam tudo em cima do muro
Normais, todos os diferentes guerreiam por um pouco de paz

Ameaça

Guardas em ti o sorriso dos poetas
O olhar dos loucos
O sentimento de absolvição

Apenas quer ser aceita
Apenas protege aos poucos
A vinda dolorosa do não

Traz em si o fardo da diferença
Trago a ti minha cândida inocência
Derramo tudo ao chão

E assim, seu segredo mal escondido
Agora mal revelado
Escorre-lhe pelas mãos

Pouco a pouco

Isto que tenho em mim
Palavra alguma pode dizer
Isto que tenho em mim
Ninguém poderá compreender
Embora corpo atado
Espírito por inteiro
Espírito de pé
Na dança da liberdade
Nesse eterno ballet
É a poesia de uma vida inteira
Este ceticismo qualquer
Isto que tenho em mim
É o pressentimento pouco a pouco do fim
Fim pouco a pouco sem saída
Isto que tenho em mim
É a vida

TicTac

Brigo com o relógio
Não chega a hora de te ver
Grilo com o relógio
Minutos pra saber
Falo com o relógui
Ele não sabe correr
Espero o relógio
Na esperança de você

Fuga

Olho para casa
Contemplo velhos móveis
E pela primeira vez
Me sinto alheia a tudo isso

Já não pertenço mais a este lugar
Nas paredes brancas e frias
Não se abriga meu espírito
Me sinto só

Com o peso do mundo em minhas costas
Velha demais para o sim
Criança demais para o não
Sinto-me distante de tudo

Vôo com os pés no chão

Metalinguagem

Às veses
Me vem o poema
Pé ante pé
E me diz como quer ser escrito

Às vezes
Me vem o poema
Veloz como o infinito
E se joga no papel, já dito

Às vezes
Me vem o poema
Triste como fardo envelhecido
E sai de mim vomitado, aflito

Às vezes
Me vem um poema como este
Um tanto desbotado
Esquisito

Descobre-se

Descobre-se muitas coisas
Em ambientes inesperados
Descobre-se, por exemplo,
Em meio a uma briga
Que azul é a parede do quarto do namorado

Descobre-se no inesperado
O tempo perdido
Descobre-se inesperadamente arrependido
Descobre-se desejo, amor
Descobre-se desgosto depois do amor
Descobre-se quem o copo meio cheio
Sempre foi meio vazio
Descobre-se o fim
E de tantas descobertas
Descubro-me a mim

18 FORTE

O que leva
Dezoito fortes soldados
Caminharem armados
Em direção à tropa de trezentos?

O que leva
De ultima hora
Um civil aderir ao movimento?

Quais motivos levam
Pessoas combater
Com a certeza de morrer?

Quais os ideais são mais valiosos que a vida?
E qual tipo de vida
Se troca por um ideal?
Homens
Encurvados andam
Pesados
Fardos mandam
E cantam seu canto de morte

Os olhos
Não se levantam
Os corpos
Não se encantam
Os membros
Só se balanças
E dançam sua dança de morte

Os rumos
Não se alcançam
Destinos
Não se destrançam
Os pés
Bolhados se cansam
E vivem
Sua vida de morte

Retilínio

Viver
De forma épica
A total nostalgia da loucura
E ingressar
Na academia brasileira de erros

Isto é o simples nascer
Viver da indiferente inclusão
Vivida à custa de anos
Somada ao sabor das paixões

Obedecer a padrões
Que nem sabemos quem impõe
Somos cegos do castelo
Formado por liberdades

Fazer da vida
Uma poesia retilínea
De quatro versos à estrofe
Sempre terminando em rimas

Padrões, padrões

E se eu quiser pular uma linha?

Haicai de jardim

Escrevi teu nome em terra preta
Terra preta
Alma preta de vilão

Escrevi teu nome em tinta fresca
Na alma preta de tão branco coração.

Aprendiz de feiticeiro

Grandes poetas me iluminam
Na escura noite me dizimam
E me mostram que na vida
É melhor saber
Que nada sei

Sonho e esperança
São loucuras de criança
A falsa ilusão da vida tão bela
Escrevo pra quem lê
Mas me importo com quem entende

Cade tu que foste embora
E sozinho me deixou
Disseste: Não é hora
Sozinha com quilos de cartas de amor

Grandes poetas dizem
Que escrevem por vingança
Fantasiam coisas belas
Pois não sabem ser criança

Não sei escrever como Clarice
Ou rimar como Drummond
Tão longe de Vinícius
E tão perto do coração

Poesia é emprego
Pra quem não tem legado
Poesia é desespero
Pra quem está desempregado

Infância

Três irmãos
Sem os pais
Pic esconde
umdoistresquatrocincoseisseteoitonovedez
Caixa de roupa
Fecha a tampa
Silêncio
Escuro
Atento ao mínimo barulho
Silêncio
Silêncio
Silêncio
Silêncio
Escuro
Escuro?
Ar
Ar
Ar
Ar
AR!
Silêncio
Socorro!
AR!
AR!
AR!
Tampa
Luz
Cega!
Um Dois Tres, Izabela!