não houve nem haveria como registrar esse momento em fotografia. não caberia o cheiro deste amor, coado com as gotas de um gozo jogado, que, quanto mais tempo perto, mais tento mudar de cor. na fraca luz do sol que dentre nuvens se esconde, aprendo que de nada adianta ter o mar por perto e o amor tao longe.
no meio do meu faz de conta pousaste em meu dia. adivinhaste, depois de algumas turbulências, tudo o que queria. todos seus presentes presenças me adocicam. mas nada me fez tão bem quanto a tinta dourada deste liquido gozoso. brocal que jogas na fenda da minha sala vazia.
quero-quero, passarinha, quero-quero. fazer da tua vida um bordado de renda de chita filó. acordar café. ir contigo nas flores da tua sapatilha. ver por do céu nos seus olhos. cuidar da tua forma de ser. construa comigo segredos e não me ausentes nunca mais.
Meu Labirinto Você
'Fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.' [Lispector!]
domingo, 20 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
por onde anda a onda
apagaram-se as palavras de meu corpo
tendo um templo só necessito pão
algum sonho perdido sem saldo positivo
negativamente enlouquecido
procura as migalhas que antes atirei
em meu caminho convertem-se corvos
procuro na curvatura de seu corpo
os espaços que deixaste em meus dedos
deles esperança escorre poesia
choque de caos coberto de chão
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
o avesso do retrato ou o paralelo triangular ou poema à trois
de vidro
o quarto tinha a luz de uma doce canção
batida de beatles
seiscentos sussurros saiam
em seus olhos soníferos
bêbada de sua embriaguez
enlouqueci
um gato persa ou um husky siberiano
a fumaça de meu cigarro perguntava
se aqueles olhos decifravam meus desejos
sua embriaguez me atravessou como uma porta
de vidro
o quarto tinha a luz de uma doce canção
batida de beatles
seiscentos sussurros saiam
em seus olhos soníferos
bêbada de sua embriaguez
enlouqueci
um gato persa ou um husky siberiano
a fumaça de meu cigarro perguntava
se aqueles olhos decifravam meus desejos
sua embriaguez me atravessou como uma porta
de vidro
o quarto tinha a luz de uma doce canção
batida de beatles
seiscentos sussurros saiam
em seus olhos soníferos
bêbada de sua embriaguez
enlouqueci
um gato persa ou um husky siberiano
a fumaça de meu cigarro perguntava
se aqueles olhos decifravam meus desejos
sua embriaguez me atravessou como uma porta
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
receita para se consertar o amor
dissecar mariposas
e dá-las à rebeca
pagar as contas do mês
e dá-las à carol
tocar em todos os tons
e dá-los à julielly
metrificar sentimentos
e dá-los ao jamesson
buscar o melhor pandeiro
e dá-lo à camila
fretar um avião particular
e dá-lo à gabriela
plantar margaridas
e dá-las à dayse
destilar perdão do peito
e dá-lo à eveline
exalar aromas e ervas
e dá-las à misha
lembrar todos os versos
e dá-los à yani
trocar as fraldas perdidas
e dá-las à lyzza
guardar esperanças
e dá-las à mariana
cantar todas de chico
e dá-las à gabi
apagar memórias de menina
e dá-las ao rômulo
congelar os degrades
e dá-los à jéssyca
comprar o grande hotel
e dá-lo à mari
voltar o tempo perdido
e não dá-lo à carolina
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011
aconteceu ontem
o coitado do mendigo foi acorrentado
por ser contra a corrente do milico que dizia:
-- na lei das moralidades
é proibido se sentar na calçada da padaria
por ser contra a corrente do milico que dizia:
-- na lei das moralidades
é proibido se sentar na calçada da padaria
terça-feira, 8 de novembro de 2011
feitiço ao escorpião que não me feriu
tu vais fazer com ela
o mesmo que fez comigo
mas no fundo ficará o vazio
não serei eu a estar ali
e eu vou fazer com elas
o mesmo que fiz contigo
mas no fundo ficará o vazio
também não serei eu a estar ali
o mesmo que fez comigo
mas no fundo ficará o vazio
não serei eu a estar ali
e eu vou fazer com elas
o mesmo que fiz contigo
mas no fundo ficará o vazio
também não serei eu a estar ali
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
devaneio à menina exata
quando a madrugada acordou já era tarde
teus olhos me haviam criado um problema
provar por A + B que a somatória de nossos elementos resulta no meu querer
a nossa solução é em si o dilema:
eu versifico tuas contas
tu metrifica meus poemas
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
viajar começa nos devaneios do relógio
o sol manchava caramelo em camisas
raios sumiam como se acabassem os colibris
a roupa na janela fervilhava um fraco fogo
procurei seguro o tempo das fotografias
o corpo esqueçeu-te na boca de vênus
apanhei no futuro falas recortadas:
- esquecer jornais nos diferencia do mar -
sujei de bocas as criaturas dos confetes
estrangulei-as no espelho inúteis vezes
e ainda assim forçavam amarelos
domingo, 16 de outubro de 2011
Foi pensando nela
Deborah Gomes
Foi pensando nela que acordei
o corpo de ressaca
a mente desconcentrada
e o gosto dela fez lembrar
que desta vez eu não sonhei
Tentei dizer em palavras
pronúncias caladas
enquando as línguas se encontravam
enquanto os corpos se juntavam
enquanto nada mais importava
e o mundo, por segundos, parava.
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