Mostrando postagens com marcador As cartas que nunca mando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador As cartas que nunca mando. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de agosto de 2011

Para se ler ao som de Amelie




com o peso das coisas descobri
o mundo só é portátil
para quem consegue carregá-lo
então façamos um trato
siga pela rua sem planos
e eu te encontro na esquina
numa beira de um beco na piscina
a gente arranja um barraco
e põe o nome dele de amor
você segura minha mão
solta meu cabelo e eu te ponho um vestido
nossos dedos juntos serão multicoloridos
vamos pintar o mundo e roubar sorveterias
queimar grama e distribuir alegria
porque meu medo de te assustar
não é menor do que o de te viver
então carregue este poema e me porte com você
.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carta adormecida

pensei seriamente em me despedir. dessa vez e de todas as outras... um basta, um adeus, um ponto final. me disseram pra não fazer isso. amigos, companheiros, astros e tarot estão a seu favor. penso também que despedida seria algo drástico. um excesso de dramaticidade para o pouco que temos. não me despeço. aguardo a efemeridade dos momentos vindouros e aceito todas as mudanças desse percurso tortuoso que é sua estrada. estrada que não corre para o meu mar. escrevi-lhe versos. versos que nem são versos... são coisas bobas, de ingenuidade brilhante e pouca técnica profissional. porém, a minha falta de ter um papel importante na tua vida me transborda de papéis com versos interrompidos.

"As horas que passo em compania de teus sonhos valem-me a ausência dos teus beijos, sei que não é uma primeira vez, mas tudo grita com a bestialidade infante de sorrisos simples e anéis de seda, sei também que dormes eterna em si, esquecida de seu brinquedo novo que aguarda aflito ao lado [...]"

é muito cedo, é muito tarde. e eu sei que assusto. sei que desboto, que transcendo, que expresso, que espanto. mas acontece-me de ser assim. suja, sem casa, sem juízo, sem dinheiro, poeta... entregando a quem achar que mereça a chave de meus antigos relicários, desbotando-me no calor de outra pele, da tua pele, o resto de tristeza existente.
e como isso não é uma carta de adeus, deixarei a você que escreva o final.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Resposta ao bem que um dia já veio a minha visita

minha pequena,

a monstruosidade do que escreve me aprofunda em minhas formas mais opostas. a mediocridade toma todos os segundos, entretanto, o belo de tuas formas é presente em meu corpo, e veja só, eram sim aqueles girassóis da cor de teu vestido. Não é preciso se sujar muito. mas lace-me em tuas liberdades simuladas e simule a razão do não acontecido. desejo sobreviver.

meu amor, basta sugar meus sentimentos e esgotá-lo em toda a tua forma; seja todas as minhas intenções alheias e confira-me de tanto em quanto eu te dormir, para sonhar comigo; ainda espero seu toque, para que a noite passada se faça presente, para que eu não morra de saudade, para que a realidade tome sentido.

.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

D

aquele
sorriso
morto
moldura
destila
ausência
desejo
dizer
te
desejo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

rascunho à moça da janela


Em tua soleira grave
apoia cansada o corpo
que distraído vaga
para algo além de ti

eu ao contrário noto

tuas formas tão fenestres
por si só corrediças
não devem nem merecem
as grades que te impõem


és toda em mim passagem



Com aqueles anos que não passavam dos 17 com seu jeito de ausência pele seca e romã com aquela cara de paz com o mundo com o não ascendente que se ascendia em mistério com cortina branca areia branca de vestido branco ao casamento da nova branca paixão e de imagina-la às brancas prosas de um branco dia passou ela por mim e juro não vi...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Solstício



no verão dá pra inventar um amor?

[Asas e penas exercem o papel de se roçar]

depende do nível de calor dos dispostos

[Atrasa-se o tempo ao silêncio em sol maior]

adoro respostas de poetas

[olham se desviam se

esta quente aí?

desviam se olham]

é... o ar condicionado não funciona

[tensiona-se o rabo em pequenas tesouradas]

mas se funcionasse ainda seria verão?

[espera sustenida de melancolia]

o verão não acaba por um frio de máquina

[

uma andorinha

                  só

não faz
                          verão  
]

sábado, 7 de agosto de 2010

poema feito por meus 5 anos


Orquídeas

chocolate 
- diet -

e cinco 
minutos
de coçada 
nas costas...

café 
da manha

omelete 
com queijo

uma cartinha
selada com um beijo

...

a
importância 
que
merece

não
sei
mais 
como
te
dar

mas
saiba 
que
sempre 
- e sempre -

sua 
filha 
vai 
te 
amar

.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ode


A ti dedico
Uma poesia encomendada
Por minha mente e minha culpa
Em homenagem aos nossos tempos passados
Que se perduram e se perdurarão
Tempos de bosques e olhadas furtivas
Que aos poucos se consolidaram
E viram mãos dadas e cinema
Que se consolidaram ainda mais
E viram abraços noturnos e filmes na tv

Uma ode às promessas tão futuras
Que conseguimos realizar
Embora com custo e sem metade daquilo que queríamos
Uma ode às promessas que ainda vamos conquistar
Aos nossos planos malucos que mudam de cinco em cinco minutos
Aos nomes de filhas
Planos para o jardim
Chácara na cidade
Amor sem vontade
TPM
Aos amigos de sábado a noite
Que viraram de domingo a tarde ...

Uma ode à nossa coragem
A nossa vontade persistida e insistida
Embora por vezes quase desistida
Ao amor que dura
E se acalma
E me acalma...

Uma ode aos nossos espíritos inquietos
Que mesmo sem querer ou perceber
Viraram uma só alma
.

domingo, 4 de outubro de 2009

Elacentrismo II

Ela ri tão distraída
Flutua tão esquecida
Que não se pode voar

Mas ela Voa... Voa...
Voa em mim
E acaba comigo

Tão inocente, Bela
Sonha beijo de novela
Procura seus verdadeiros amigos
Ela,
Que voa
Flutua
E acaba comigo...

Elacentrismo I

Ela
Que traz em seu olha toda a sua história
Que traz em seu sorriso tudo o que é e tudo o que gostaria de ser
Ela
Que parece forte
Que se mostra inatingível
Ela
Que fecha os olhos e parece estar tão longe
Que nos faz beber o fel da dúvida de seus silêncios
Ela
Linda
Bela
Incrivelmente mais bela ainda
Ela
Que exala perfume de flor
Que tem gestos de flor
Que tem risadas de flor
Que se faz flor
Ela
Que guarda no coração a criança do passado
Que tem em mente a moça do presente
Que tem no corpo a mulher do futuro
Ela
Que é tudo isso em uma só

Ela!

Que mudou toda minha vida em apenas uma semana
Ela
Que me deu um motivo pra acordar
Que me fez sorrir pela minha própria felicidade
Não pela alheia
Tudo parece ser bom pelo fato de ser como é
Ela
Que deu sentido às estrelas
Que deu motivo ao sol
Que deu as flores, perfume
Que deu à vida, cor
Ela
Que me deixou sonhando acordada
Que me deu noites em claro
Que encheu meus fins de semana
De saudades e dor

Ela!

Que me trouxe de volta o amor...

Que me faz querer mudar o mundo só para dar a ela (e somente ela) um lugar melhor
Ela
Que quando chora me faz sentir tão impotente diante de tanta situação
Que me faz sentir o quanto sou estúpida em pensar que tenho problemas
O quanto sou mesquinha
O quanto egocêntrica

Se eu pudesse...

Ela não choraria nunca
E cada dia seria diferente para ela não se cansar
Ah se eu pudesse...
Mudaria pensamentos
Mudaria pessoas

Se eu pudesse seria um samba
Um rock
Eterna bossa nova

Seria poesia até o anoitecer
Seria chuva
Seria outono
Seria mar
Seria brigadeiro com sorvete na TPM
Seria doce sem engordar

Se eu pudesse ela nunca iria sofrer
Se eu pudesse
Ela iria me entender!

Se pudesse faria a vida Slow motion
Para ela aproveitar
Se eu pudesse contaria ao mundo nosso amor
Refaria todas as estradas para encontrar as delas ainda menina

Se eu pudesse
Teria Carolina!

Vento no litoral

Renato,

Cadê o vento para levar tudo embora?
E não há horizontes para me distrair
Não ha mais ninguém dentro de mim

Renato,
Agi tão errado... Sem querer...
E o tempo também errou
E não há mais ninguem comigo
Mas claro...
A vida continua e
Se entregar é uma bobagem

Estou cuidando de mim
Mas já não ha planos de ficar bem

Não como ser feliz

Achei...
Cavalos...
E espinhos

Renato...

- Carta de 12.08.2006

Goiânia, 12 de agosto de 2006

Amada Amanda,
Como uma erva daninha que, rasteira, se apega de tal forma a árvore e seus frutos, muda sua paisagem, rouba seus nutrientes... Assim é a podridão do mundo em mim.
Sinto em cada parte de mim os gritos, dores e gemidos de um mundo doente.
Já não sei para onde ir e nem sei se quero ir a algum lugar...
As coisas que faço não dão resultados e, quando a terra consumir meus ossos, nada do que faço irá servir, tudo passa... Tudo sempre passa...
Escrevo versos que só eu ouço. Canto canções que ninguém mais diz. Me consumo com minha própria melancolia.
Continuo com minha estranha mania de amar a tudo e todos incondicional e doídamente, mas, mesmo em um belo sentimento nada encontro além de portar fechadas.
Olho para o céu negro e os espaços vazios.
Dentro de mim só há desilusão.
Meus olhos enxergam as cinzas porem não tenho forças para fazer nada
Estou fraca Amanda.

- Carta de 02.07.2006

Para sua felicidade,
Oh Ama(n)da
Decidi mais uma vez
Por meus sentimentos em linhas
Oh amandinha
Reconheço que me faz falta
Esse meu eu lírico
Embora tenha minhas dúvidas
A respeito do que digo
Sentimentos são ilusões tão transitórias
Detidos nos semáforos da vida
Ora passam
Ora param
Raramente permanecem
Nos confundem
Aborrecem
Alegram e enlouquecem
Dançam
Dançam nessa musica
De vida
Nessa doida batida
Nesse lento caminhar
E o que penso
A respeito de sentimento
É que não vale à pena tentar
Sem força
Sem esforço
Não vou tentar
O que vier veio
Deixo tudo rolar
Quem decide não sou mais eu

Inicios de cartas II

Mãe,

Inquieta mamãe...

Inicios de cartas I

Goiânia, 05 de janeiro de 2006

Hoje,

Céu escuro
Escuridéu

Cheiro este ar
Úmido, nublado


Melhor é deste lado...

domingo, 12 de outubro de 2008

The end



Procura-se nexo


São umas ondas tão fortes


Fui escrever uma carta e não soube acabar


Uma vida... E todas...


Minhas asas cresceram, já posso voar


Mas, perdi a prática


E ganhei fardos...


Pesados demais pra carregar


Um corpo e todos


E um espaço enorme a cavar


Um vazio entre os dedos


Um grito que ecoa sozinho no ar


Não consegue me ouvir, wall


A unica linha da minha carta de despedida:


Palavras foram tudo o que te dei até hoje


E palavras são o que vou te dar...


Seguidas então de mais 23 linhas em branco


E 23 sentimentos diferentes


Quero desabafar


Quero ouvir aquela voz...


Wall...


As vezes eu acho que você pressente


E sim... Tenho a certeza de que sente...




Fim